Pois muito se tem falado e discutido, inclusivé neste humilde blog, sobre a fraca aposta do FC Porto nos jovens que saiem dos seus escalões de formação e sobre o exemplo do Sporting CP no aproveitamento dos mesmos.
Ainda esta semana li em várias publicações desportivas e não, que Ricardo Vaz Tê, avançado da selecção nacional de Sub-21, jovem de grande calibre e promessa do futebol nacional (falta-lhe um bocadinho mais de humildade… como a muitos daquela selecção) e adepto do FC Porto desde pequeno, preteria o nosso clube face ao Sporting porque este aposta mais em jovens.
Ora, na minha opinião, que vale o que vale, para alguns alguma coisa para outros quase nada, a explicação para isto, nos dias que correm, é até simples:
- o FCPorto tem uma margem de erro muito menor que o SportingCP
Como disse Mourinho e bem aqui há dias, os jovens jogadores são como os melões: por fora parecem bonitos, riginhos, bem cheirosos, mas depois abrem-se os melões, prova-se a fruta… e estão verdes!
Fala-se nos grandes casos de sucesso de jovens saídos das academias do Sporting e, verdade seja dita, é, no momento, a melhor academia de futebol nacional. Mas é natural que não se falem nos flops que também de lá sairam. Os jogadores também lançados muito jovens na equipa sénior do Sporting que não deram em nada, ou deram em “nada de especial”. Não me puxem pela memória, que infelizmente, por natureza, é curta… mas poderá Custódio ser considerado um exemplo? Haverá certamente mais.
Ou seja, quantos empates ou derrotas não teve o Sporting, que lhe custaram campeonatos e competições, por ter arriscado jovens, muito verdinhos, a jogar ao mais alto nível? Porque perdeu o Sporting a taça UEFA em casa?
O FCPorto tem menor margem de erro. Ai de que se perdesse uma final de uma competição europeia… por isso, arrisca menos… muito menos.
Muito se critica e aponta o dedo às contratações duvidosas e sem grande sustentação que se fazem do outro lado do atlântico versus a observação do que está mesmo debaixo do nariz do dragão, ie, a sua própria formação. Neste aspecto, fico, tal como a maior parte dos adeptos… de pé atrás com algumas contratações. Com outras contratações, sou mais paciente e espero para ver, não julgando já, com tão pouco para julgar - nesse aspecto julgo que o Tribunal do Dragão é impaciente e precipitado (por exemplo, Renteria - não estou a dizer que é bom, mas não posso já dizer que é mau!)
Mas as contratações que se fazem do outro lado do Atlântico são das duas uma: ou de jogadores já experientes, com histórial e jogos em campeonatos de alto nível, ou de jovens-promessas já com renome nos seus países: Diego, Anderson… eventualmente Leandro Lima… mas tal como cá, também há bons e maus melões no Brasil, Argentina ou Uruguai.
Portanto, julgo que há contratações de jogadores para fazer a diferença no 11… e há contratações para tapar o buraco e servir de 2ªlinha/substitutos. Acho que no que diz respeito ao 11, parece-me obvio que o objectivo é que todos sejam bons ou excelentes. Na 2ªlinha… ou temos miúdos, promessas, verdes… ou tentamos ter jogadores com alguma experiência. No caso do jogador do 11 falhar… quem vamos querer ter como alternativa?
Não quero com isto dizer que concordo com a política de recrutamento do FCPorto, estou mais a tentar perceber o porquê desta forma de actuação, já que me recuso a pensar (se calhar ingénuamente) que há interesses financeiros, de comissões e fruta, por trás!
No entanto, são vários os jogadores provenientes das camadas jovens do FCPorto que, não arriscando a equipa sénior na sua utilização, vão obviamente rodar, para desabrocharem como jogadores, ganharem maturidade. Vierinha… Ivanildo… Paulo Machado… Helder Barbosa… é natural que assim seja.

Tal como estes, Jorge Costa, Fernando Couto, Ricardo Carvalho… também andaram a rodar por aí… um miúdo cresce como jogador, não a jogar 15m no fim de um jogo já resolvido, mas a jogar os 90 minutos a doer.
O FCPorto não se pode dar ao luxo de arriscar a ter um miúdo a jogar que, naturalmente, fruto da sua inexperiência e imaturidade, resolve inventar uma qualquer coisa no meio-campo, perder a bola e resultar num perigoso contra-ataque.
Claro que isso também pode acontecer a um jogador graúdo, experiente, mas estou certo que a probabilidade é menor!
Ora aí está a diferença entre o FCPorto e o Sporting… a tal margem de erro, que é muito menor nos grandes clubes do que nos clubes menos ambiciosos!