Não sou grande apreciador de ciclismo e admiro os milhares que se põem em frente a um ecran de televisão a ver um grupo de ciclistas pedalar. Confesso que EU não sei ver ciclismo, apesar de reconhecer que há muito mais por detrás do desporto que apenas indivíduos a dar ao pedal (e por detrás não estou a falar do doping… )
No entanto, em ambiente familiar e sem perceber nada de estratégias de ciclismo, lá fui acompanhando a Volta a Portugal.
Mesmo não percebendo de ciclismo uma coisa foi-me clara: os meios de comunicação social andaram com o Cândido Barbosa ao colo, fazendo os maiores votos e incentivos para que o rapaz, um rapaz do Norte, ganhasse a Volta a Portugal. De tudo faziam… era entrevistas ao Cândido, era reportagens exclusivas do Cândido a acordar, era a história do Cândido, Cândido e a família, o treino do Cândido, o pijama do Cândido.
Isto começou logo a lembrar-me qualquer coisa…
Muito apregoava a televisão, os seus jornalistas e comentadores… “É este ano que o Cândido se afirma e ganha a volta…”, Cândido isto, Cândido aquilo,…
Ontem foi a ultima etapa, um Contra-Relógio que não é mais do que uma prova individual de cada ciclista num pequeno percurso e, obviamente, o que o fizer em menos tempo, ganha. Cândido, o candidato-quase-vencedor-da-Volta estava em 2ºlugar da classificação a 4 segundos do camisola amarela, o líder da volta. E mais uma vez, RTP, jornalistas, comentadores a empurrarem o cândido rapaz, afirmavam com firmeza “O Cândido é um especialista em Contra-Relógio!”… ainda por cima estava a chover e eles insistiam “O Cândido é um jovem e nestas circunstâncias, de piso molhado, ainda mais favorito é!”.
Pois, esqueceram-se que atrás do Cândido na classificação geral estava um outro corredor, um espanhol de quem já nem me recordo o nome, que deveria ser muito mais especialista que o Cândido, e fez o contra-relógio em menos 1m que o “grande favorito”, Cândido Barbosa, e ganhou a camisola amarela e a 69ª Volta a Portugal!
Nada tenho contra o Cândido Barbosa, é um grande ciclista, mas é vergonhosa a forma como a comunicação social levava o rapaz ao colo, colocando-lhe pressão QB para ganhar a volta, fazendo dele o herói mesmo sem vitória e ainda sem a glória.
Lembrou-me logo o Glorioso, que glória por lá já escasseia há muito, e que continua a ser levada ao colo pela comunicação social. No arranque da volta BWin, os do Glorioso são os maiores, os grandes heróis… chegam as derradeiras etapas da “volta” e aparece muitas vezes um esquecido corredor de riscas azuis e brancas, de outro “país”, o Norte de Portugal, que com arte, força, mestria e superioridade fica com o troféu, a fama, a glória!
Conclusão, e para que eu não seja mal interpretado, a comunicação social deve ser isenta e neutral a qualquer um dos concorrentes a vencer uma prova desportiva e não mostrar claro benefício e protagonismo para uns relativamente a outros.