Dadas as circunstâncias… soube mesmo a pouco!

Fotos: www.reuters.com
À partida para este jogo, certamente que a maioria dos portistas estaria certo que um empate em casa frente ao Liverpool não era um mau resultado.
Estou certo que dadas as circunstâncias do jogo de ontem a maior parte desses adeptos portistas pensam que o empate soube a pouco.O FCPorto apresentou-se como se tem vindo a apresentar nos jogos no campeonato nacional, numa 4-3-3 com Lisando a Ponta de Lança ladeado por Tarik e Quaresma. Até aqui, Jesualdo mostrou alguma astúcia e coragem porque muitos eram o que já o viam a começar com dois trincos abdicando de Tarik.
O FCPorto entrou bem, com a inteligência de Lucho a vir ao de cima e a justificar porque não pode Jesualdo abdicar dele no seu esquema de jogo. Não há dúvidas que é o mais inteligente jogador do meio-campo do FCPorto. Lisandro, como sempre muito esforçado e muito competente nas suas funções. Tarik, na minha opinião, igualmente bem. É um jogador com visão de jogo, que tenta fazer circular a bola, não é o típico “extremo-egoísta”. É de uma desmarcação inteligente de Tarik e de um passe a rasgar igualmente inteligente de Lucho que surge o penalty que nos dá a vantagem. Vantagem mantida por cerca de 10 minutos, pois uma excelente jogada que deixou algumas dúvidas sobre se era a excelência dos avançados se a falha da defesa portista que explicava o golo consentido pelos portistas, deu o empate.

Depois destes dois golos o jogo voltou a serenar. O FCPorto tentava fazer circular a bola, percorrendo a defesa, chegando aos extremos, voltando para trás, tentanto pelas alas e pelo meio, mas há que ser justo, era o Liverpool o adversário, com uma excelente organização defensiva com 11 homens atrás da linha da bola. Ainda assim, algum desacerto de Raul Meireles no meio-campo não ajudava na produção ofensiva dos azuis e brancos.Nos 2ºs 45m, cedo a história mudou de figura, com a expulsao do lateral direito do Liverpool a condicionar todo o jogo. Se o Liverpool era uma equipa bem organizada na defesa, tornou-se num castelo altamente fortificado e fechado a qualquer investida dos portistas quando reduzido a 10 homens, ainda tentando com perigo o contra-ataque.
Os Portistas bem que circulavam a bola, procurando um qualquer buraco para a meter, mas não estava nada fácil porque não havia brecha na muralha vemelha.
Jesualdo ainda tentou fazer qualquer coisa, sabe-se lá o quê ou com que inteção, metendo Mariano Gonzales para médio interior direito e Farias a Ponta-de lança. Mariano bem que tentava encontrar espaços entre os imensos 10 homens de vermelho atrás da bola, mas em vão… não estavam à espera os impacientes adeptos portistas que a solidão de Farias entre os gigantes do Liverpool fizesse mossa.
O FCPorto ainda conseguia algumas bolas paradas em locais priveligiados, mas muitas vezes Quaresma, na sua natureza egoista, tentava o remate mesmo que de ângulo difícil, em deterimento de colocar a bola nos colegas. Quando o fez, conseguimos mais perigo, mas o ego de Quaresma não concluiu isso antes do apito final.
O Liverpool estava resignado ao empate e defendia o seu ponto. Na minha opinião, e face às circunstâncias, o FCPorto, ou melhor, Jesualdo Ferreira, não soube escolher a abordagem ideal para a condição de resignado do Liverpool. Se Jesualdo quisesse mesmo fazer alguma coisa para ganhar, nos ultimos 5 ou 7 ou 10 minutos, abdicava de um médio, colocava o gigante Kaz lá na frente e começava a jogar futebol directo, fazendo o jogo sobrevoar todo o povoadíssimo meio-campo inglês. Podia ser que tivéssemos sorte numa bola pelo ar. Estava mais que visto que a rodar a bola à frente de todos os jogadores do Liverpool, sem espaços interiores, não iamos chegar à baliza de Reina.
Mas a natureza de Jesualdo, a sua “idade” e experiência, não lhe permitem grandes riscos, não fosse o coração claudicar, e ficamo-nos assim por um empate que, dadas as circunstâncias, soube realmente a pouco.
Como disse Jesualdo na conferência de imprensa no dia que antecedeu o jogo, “Temos equipa para ganhar ao Liverpool”… e eu ouso completar “Não temos é jogo!”
“Temos capacidade para derrotar o Liverpool. Não poderia dizer outra coisa. Aliás, podemos bater qualquer equipa do Mundo”, disse Jesualdo Ferreira na antevisão ao confronto de amanhã com o Liverpool.






Volta novamente ao Porto e é aposta de Jesualdo Ferreira. No início da época passada era titular indiscutível, realizando boas exibições e tendo feito 11 golos em 24 jogos. No entanto era sol de pouca dura. Após uma lesão a meio da época e de ter sido novamente chamado a titular, as suas exibições não agradam e é relegado para o banco. Essa situação não mais se alteraria até final da época, sendo preterido por Adriano.
Decorreu esta tarde o sorteio da 3ª eliminatória da Carlsberg Cup (Taça da Liga), e ditou a sorte que o FC Porto visite o Centro Desportivo de Fátima.

