Depois de uma campeonato ganho com dezenas de pontos de avanço sobre o segundo classificado, restava a Final da Taça de Portugal. Curiosamente, ditado o destino, o outro finalista calhava de ser exactamente o 2ºclassificado do campeonato: o Sporting.
Mais uma vez, naquela espécie de Estádio de Futebol onde insistem realizar a Final da Taça de Portugal, onde os adeptos podem reviver os tempos de antigamente, aqueles em que se apanhavam boas chuvadas e se assistia ao jogo olhando sobre um manto de guarda-chivas. Esse estádio, símbolo do Colonialismo e Fascismo a quem chamaram Estádio Nacional, ir-se-ia realizar um jogo claramente de “tira-teimas”. O Campeoníssimo contra o 2ºClassificado. Uma final é sempre, um jogo para ganhar.
E o FCPorto tinha toda a obrigação de ganhar. Mais do que mostrar-se o campeão da estabilidade e regularidade ao longo dos meses do campeonato, o FCPorto tinha obrigatoriamente que mostrar o estatuto de Campeão-Dominador.
Este ano já nos tinha presentado com 3 jogos FCPorto-Sporting. Em 2 destes, o FCPorto perdeu. No outro, ganhou com um golo originado de um lance polémico (o atraso a Stoikovic - para quem não se recorda).
Ainda que já numa fase de descompressão pós-campeonato, o FCPorto tinha obrigação de se superiorizar ao Sporting. O “Professor” tinha obrigação de reunir as suas tropas em prol de um objectivo final MUITO importante…
… mas mais uma vez, o “Professor” mostrou a sua maior fraqueza: a competência de liderança.
O FCPorto foi sempre pouco ambicioso e pouco rápido. Nunca mostrou garra e fome de vencer. Com a habitual excepção de Lisandro Lopez, a dedicação e inter-funcionalidade de Raul Meireles e a habitual raça de Bruno Alves, contando ainda com um inspirado Nuno Espirito Santo, o resto da equipa eclipsou-se.
A equipa do FCPorto era a esperada, com a inclusão de João Paulo como lateral esquerdo, e de Mariano como parte do 4-3-3 que Jesualdo queria apresentar.
Na 1ªparte, o FCPorto foi controlado facilmente pelo Sporting. O primeiro remate à baliza de Rui Patrício foi feito aos 26m da primeira parte. Isto ilustra bem a dificuldade da transicção defesa-ataque do FCPorto e a inoperância de Lucho/R.Meireles. O losangulo de Paulo Bento engoliu o pouco inspirado e aplicado trio de meio-campo do FCPorto. Os jogadores do Porto jogavam nervosos, sem natularidade, falhavam passes simples, cometiam erros. O Sporting não era uma equipa superior, não mostrava muito futebol, limitava-se a aproveitar os erros do FCPorto e a… correr organizadamente. Criava situações, triangulava e abria brechas no meio da defesa do FCPorto, e inclusivamente marcou um golo, mal anulado pelo árbitro por pertenso fora-de-jogo (estava em linha com Bruno Alves). Depois, de salientar a ocasião clara para Lisandro marcar, em desmarcação, isolado frente a Rui Patrício: Nota negativa para o FCPorto.
A 2ªparte foi melhor, ainda que muito pouco melhor, não passando da nota 10 (em 20), aquela nota miserável que qualquer estudante gosta de ver na pauta quando não estudou nada, copiou umas coisitas e se safou. Ainda assim, o FCPorto vê um penalty sobre o Lisandro e na frente do árbitro não ser assinalado, lance que originou depois uma entrada mais impetuosa e a pés juntos, de João Paulo, que mesmo não tendo atingido João Moutinho, é naturalmente merecedora de vermelho, pela forma da entrada. Jogando contra 10, o Sporting, ao contrário do esperado, não foi superior, ou pelo menos não foi dominador. O FCPorto até parecia estar a jogar melhor no contra-ataque. A jogar com 10, Jesualdo tira um combativo Mariano Gonzalez que, pelo menos, dava trabalho ao meio-campo do Sporting, para colocar um Lino. Aposta errada, na minha opinião. Mariano poderia desempenhar com segurança o lugar de lateral direito, posição que bem desempenhou no ultimo terço do jogo FCPorto-Estrela.
Fim dos 90m… Prolongamento…
Mais do mesmo… e o Sporting, num lance de contra-ataque, e com bastante sorte à mistura, consegue o 1-0. O FCPorto entrou em desnorte e começou a jogar com o coração. Ver Lucho entrar, da forma como entrou, sobre um adversário, mostra a ceguez com que a equipa de azul e branco jogava. Mais um lance duvidoso sobre Lisandro, na minha opinião, ainda que com “arte” do argentino, por entrada de Polga no limiar da grande-área, merecedora da marcação da falta e que o árbitro ignorou. E o 2-0, mais uma vez numa situação confusa e de nítido desiquilibro defensivo do FCPorto.
Um vergonha! É o q me apetece dizer. Era uma final que tinhamos que ganhar. Este é o meu sentimento.
Hoje posso ter q certeza de que Paulo Assunção fez o ultimo jogo com a camisola do FCPorto e Lucho Gonzalez também. Foram duas pedras fora do xadrez de Jesualdo. Um, o primeiro, não quis realmente fazer a diferença. Distante do jogo e da sua habitual sagacidade posicional, pareceu não quer cansar-se muito. O segundo, Lucho Gonzalez, esteve longe da sua habitual forma durante a época: perdeu bolas, falhou imensos passes críticos, não conseguiu fazer a transição defesa-ataque e também evitou “lesionar-se com gravidade”, evitando o choque. Terá sido o ultimo jogo de Lucho ainda para mais porque, a sua reacção no final do jogo,choroso, foi de alguém que queria ter ganho, como despedida, mas que se sente frustrado por não o ter conseguido.
O jogo foi mais uma derrota para o “Professor” no confronto Jesualdo-Paulo Bento. O “Professor” foi superado pelo aluno. Jesualdo, como eu já disse aqui no Estádio do Dragão, estou certo que sabe imenso de futebol, pode ter anos de experiência, mas parece faltar-lhe alguma coisa, aquilo que muitos reconhecem em José Mourinho: a capacidade de fazer equipas! E uma equipa deve ser bem mais do que um simples conjunto de jogadores.
Jesualdo está a falhar nas suas competências inter-pessoais com os jogadores. Se, por feitio, ele não consegue desempenhar essas competências, é preciso que lhe disponibilizem um adjunto que seja a ponte comunicanional e de motivação com os jogadores.
Um General de César que fosse para o campo de batalha contra o mesmo adversário pela terceira vez e perdesse, facilmente iria parar na Arena do Circo de Roma para ser alimento de leões!
É certo que estamos 21 séculos à frente desses tempo…
Na prova dos nove da época 2007/2008, o FCPorto FALHOU!