Champions League: Grupo G
O sorteio desta tarde da Champions League ditou que os adversários do FC Porto no Grupo G fossem o Arsenal, o Fenerbahçe e o Dynamo Kyiv.
Os adversários que nos saíram no sorteio podiam ser piores, é um facto, mas desengane-se quem pensa que será um grupo fácil de passar, como já ouvi por aí dizer.
Vamos então analisar os participantes deste Grupo G:
Arsenal Football Club

Figura da equipa: Cesc Fabregas
Favor do FC Porto: A juventude da equipa e falta de experiência europeia.
Contra o FC Porto: Os nomes sonantes e a qualidade do futebol praticada.
Palmarés Europeu: Taça das Taças - Época 93/94
O Arsenal (que joga entre um 4×4x2 e o 4×4x1×1) é uma lição de como ocupar todos os pedaços de relva, sendo sem dúvida alguma a mais forte do Grupo. A bola sente-se confortável nos pés dos seus jogadores, passeia pelo campo, e, de repente, surge embalada em profundidade pela faixa, com um médio ou um lateral conduzindo-a até zonas letais de cruzamento. Treinada pelo técnico Arséne Wenger, a equipa do Arsenal consegue aliar as vitórias ao futebol vistoso e deslumbrante.
Na baliza está Almunia, que apesar de não ser um guarda redes fora de série, chega para as encomendas e conseguiu encostar na época passada o experiente guarda redes alemão Lehman. Depois à sua frente o misto da experiência e da jventude. Gallas e Toure dão consistência ao centro da defesa. Nas laterais Clichy e Sagna, dois magníficos laterais, que se incorporam bem em movimentos atacantes pelas sua velocidade.
A equipa do Arsenal em vez da normal combinação um-dois, a simples tabela, entre dois jogadores (onde, após o primeiro passe, o jogador desmarca-se automaticamente para que o receptor a devolva) deve surgir próximo deles, paralelamente, outro jogador a correr livre. Ou seja, para a equipa avançar de pé para pé, há sempre um jogador mentiroso que joga sem bola mas move-se em função dela. É o tal terceiro homem, difícil de detectar, mas decisivo para confundir os marcadores adversários e abrir espaço para a eficácia sucessiva do um-dois. A cérebro desta equipa e que encarna na perfeição este modo de estar é Cesc Fabregas. O jovem espanhol alia o seu pulmão com a visão de jogo e a facilidade de remate. Com as saídas de Hleb e Flamini, Fabregas tem agora como parceiros Rosicky, Eboue, Walcott e o recém contratado Nasri. Aliás o francês é um jogador a ter em conta pela sua qualidade acima da média. Um jogador vindo do Marselha e que na época passada jogou contra o Porto na Champions.
Na frente de ataque duas estrelas compartilham o espaço: Adebayor e Van Persie. Adebayor é o típico ponta de lança matador, que ocupa sempre os espaços mais próximos da baliza. Veloz e de grande envergadura física este avançado é uma das figuras da equipa e um terror para as defesas adversárias. Faz lembrar George Weah nos seus melhores anos. Ao seu lado tem Van Persie, o holandês com pé canhão. Tecnicista e com um remate fabuloso o holandês recuperou de uma grave lesão na época passada e no europeu já mostrou que voltou em forma. Sem dúvida duas poderosas armas na frente.
Arséne Wenger tem entre mãos a melhor equipa do Grupo, e mesmo o facto de há dois anos termos vencido o Grupo que repartimos com o Arsenal, não poderá ser um motivo para nos sentirmos superiores.
Fenerbahçe Spor Kulübü

Figura da Equipa: Roberto Carlos
Favor do FC Porto: A mudança de Treinador
Contra o FC Porto: A raça, entrega e paixão com que os turcos encaram o futebol. Ambiente no estádio.
Palmarés Europeu: —
A equipa do Fenerbahçe foi uma das surpresas da passa Uefa Champions League. Tal como no passada Europeu em que ficaram famosas as reviravoltas da Turquia aos resultados, também na Champiosn League o Fenerbahçe ficou famoso pelas mesmas razões. O futebol na Turquia é uma paixão levada ao extremo e a entrega é um estado de espírito. Toda a gente se lembra do épico jogo em que na época passada o Fenerbahçe derrotou a favorita equipa do Sevilha, com o seu guarda redes Demirel a defender 3 penalties com categoria.
Esta equipa turca é hoje a que mostra mais desaforo financeiro na hora de contratar. Após a saída de Zico, o clube foi buscar nada mais nada menos que Luis Aragonés, o técnico Campeão da europa por Espanha.
Na equipa turca figuram algumas figuras importantes do futebol europeu. Desde logo o já velhinho, mas sempre útil, Roberto Carlos. Dono de uma experiência única e de um pé canhão este defesa esquerdo defende as cores do clube turco desde a época passada. Depois a equipa conta com Emre Belözo?lu, Kaz?m Kaz?m e Semih ?entürk, jogadores turcos de bastante qualidade e Deivid, o avançado ex-sporting, que na época passada esteve em evidência na Champions. Para esta época ficou reservada a contratação de Daniel Güiza, o Pichichi da última liga espanhola.
O ambiente infernal que se vive no Fenerbahçe ?ükrü Saraco?lu, o estádio localizado na parte asiática de Istambul, vai ser certamente um ponto a desfavor dos Portistas. É certo que a equipa do FC Porto já está ambientada a jogos deste tipo de ambientes, ainda na época passada defrontou o Besiktas, mas não deixa de ser intimidatória para a equipa visitante.
FC Dynamo Kyiv

Figura da Equipa: Artem Milevskiy
Favor do FC Porto: O Dinamo não tem o fulgor de outros tempos.
Contra o FC Porto: A longa viagem a que estará sujeito, ainda por cima em Novembro.
Palmarés Europeu: 2 Taça das Taças -Épocas 74/75 e 85/86; Supertaça Europeia -Época 1975
Anos após o único confronto entre o FC Porto e Dínamo de Kiev, as equipas voltam a encontrar-se novamente numa competição europeia. É altura de reavivar as boas recordações, precisamente da época 1986/87, da glória caminhada portista para a primeira Taça dos Campeões da sua história. Nessa altura o FC Porto venceu o Dinamo Kiev nas meias finais, com as duas mãos a favor dos portistas por 2-1.
Na ultima pré eliminatória a equipa ucraniana desenvacilhou-se com facilidade do Spartak Moscow, com o fulgurante resultado de 4-1 em ambas as mãos. A sua estrela Milevskyi, é um avançado gigante de 1,90m bem dotado tecnicamente e forte no jogo aéreo, detentor de um drible rápido e fácil. Ele marcou 4 golos nos dois jogos contra o Spartak.
O jogo da equipa Ucraniana assenta nas imprevisíveis alterações tácticas, suporte sempre de um jogo apoiado ao primeiro toque, com os jogadores a mudarem constantemente de posição. O treinador Yuri Semin conta com vários internacionais ucranianos, aliados a Bangoura e El Kaddouri num toque de futebol africano.
Lembre-se que a época passada o Sporting venceu os dois jogos contra esta equipa na fase de grupos da Champions, mas esta época a equipa já demonstrou estar diferente. O grande ponto a desfavor da equipa Portista será a longa viagem até á Ucrânia e logo em Novembro, época de maior frio e possibilidade de neve. Sem dúvida será um factor contra o poderio azul e branco.
Conclusão:
Desta análise podemos concluir a dificuldade da passagem à fase seguinte da prova. O calendário, com o primeiro jogo em casa com o Fenerbahçe e na primeira volta o jogo com o Dynamo em casa, fazem com que o FC Porto tenha necessariamente de entrar a todo o gás nesta Liga. As contas não deverão ficar para o final sob pena de jogarmos os dois jogos fora seguidos com estes adversários com a corda no pescoço.
A equipa Portista terá de ser um FC Porto Vintage, dado que apenas ao mais alto nível conseguirá passar este grupo, que julgo estar muito equilibrado.




Lembro-me de na época de 2004/05, a trágica época pós-Mourinho, o plantel do Porto ter toda uma equipa de jogadores brasileiros ao seu dispor. De facto durante esta época passaram pelo nosso clube nada mais nada menos que 13 jogadores brasileiros: Diego, L. Fabiano, Leandro, Leando Bonfim, Pitbull, Ibson, Pepe (na altura brasileiro), Maciel, P. Assunção, C. Alberto, Rossato e Derlei. Ora já dizia o mestre Pedroto que “um brasileiro é bom, dois começa a ser perigoso e três são uma escola de Samba!“, e a realidade é que por culpa disso, ou não, o Porto pouco fez durante essa época.
-se. Apenas muda a dança…

