Fever Pitch
Cheguei ontem de vindo de um país do leste onde a paixão do futebol se vive ao extremo. As saudades do nosso clube e do futebol em geral foram combatidas pelo visionamento de um ou outro resumo do campeonato croata. Deixava cá o meu clube a terminar a sua pré-epoca e com o primeiro troféu da época em discussão e eu sem o poder ir ver in loco, pior do que isso, sem o poder visionar. Um telefonema a meio do jogo para Portugal serviu-me para acalmar. As indicações que recebi eram de que o Porto dominava. O meu coração abrandou o seu ritmo e acalmei. A notícia caiu como bomba mais tarde. Uma simples mas dolorosa mensagem:” Porto perde 1-0″. É impressionante como mesmo quando estamos bem longe sentimos o nosso clube e aquela impressão no estômago que nos acompanha antes de cada grande partida, faz-se sentir mesmo a milhares de km´s de distância. Quem ama o seu clube e sofre como eu nunca desliga… Fiquei aterrado! A distância não deixa esmorecer o desânimo e a tristeza. Durou uns dias até me esquecer do sucedido e o único contacto com a realidade azul e branca foi a simples mas dolorosa mensagem… Pelo menos à chegada as notícias eram animadoras: apesar da greve dos funcionários do aeroporto, o Porto tinha batido o Braga no seu reduto com duas bombas do mágico Quaresma. Para mim melhor regresso de férias não podia haver!
Já ultrapassado o trauma e como tinha de entreter o meu tempo comprei numa livraria um livro que me foi aconselhado chamado “Fever Pitch”. O livro é escrito por Nick Hornby, um fanático adepto do seu clube (Arsenal) e que retrata a sua relação com o futebol. A cada página e a cada descrição revia-me na sua escrita. Apaixonado, empolgado e desiludido com o seu clube, Nick consegue passar para a escrita aquilo que um fanático adepto de futebol sente. Óbvio que nem toda a gente pensa como ele ou EU mas recomendo vivamente a leitura deste livro. Fala da forma como em adolescente visitava vários estádios com o seu pai, do nervoso que sentia antes de cada grande jogo, da crescente paixão que crescia ao longo da sua vida pelo Arsenal e que o levava a seguir a equipa para todo lado, da sua memória para decorar todas as equipas dos últimos 30 anos do seu clube, do fenónemo do hooliganismo recorrente em Inglaterra, do triângulo amoroso autor-futebol-namoradas, do racismo, dos estádios ingleses, da paixão inglesa pelo futebol amador, enfim, retrata em 100% a minha forma de estar no futebol. Por isso deixo aqui a minha sugestão.


Já o li, e adorei. Em português chama-se ” Um diário de um fanático” e nós, os fanáticos já vivemos situações quase iguais.
August 21st, 2007 | #